sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Questões sobre o Islamismo



   Questão 1 – Importância de Bizâncio e Persa para o desenvolvimento do Islã.

O Islã só se tornou um Império em tão pouco tempo graças a unificação religiosa realizada por Maomé. Isso só foi possível devido as seguintes características:
O zoroastrismo por sua ideologia monoteísta foi determinante para a criação do Judaísmo, e Cristianismo e em seguida do Islamismo. Além disso, a cultura helênica teve forte influencia tanto em Bizâncio como na Pérsia, facilitando a unificação. Ambos eram localizados ao norte da Península Ibérica e tinha origem semita, ligados pela cultura árabe e persa, o que facilitava o desenvolvimento devido ao idioma.
 
Questão 2 – Ao contrário do que se acreditava que o exército islâmico incendiou a biblioteca de Alexandria, os mulçumanos foram grandes divulgadores da cultura helênica e persa, pois os arquivos e bibliotecas persas e bizantinas eram ricas da cultura cientifica e filosófica da Idade Antiga.





                Politeismo praticado pelas populações árabes
Antes da afirmação do Islamismo como religião, grande parte do povo árabe, senão todos, incluindo os Sírios e os Mesopotâmios, cultuavam varias religiões: o Zoroastrismo, Judaísmo, Cristianismo, Maniqueísmo além da presença de outras seitas. Uma das características comuns entre essas religiões era o politeísmo, que era acompanhada de um intenso profetismo, pois naquela época era comum o aparecimento de diversos profetas. Os beduínos e tuaregues cultuavam divindades animistas (elementos da natureza), que explicavam a forma da vida deles: um Oásis representava a diferença entre a vida e a morte. Eles cultuavam também as deusas Al-lat, Al-Uzza e Manat, filhas de Allah.
Nas cidades de Palmira e Petra adoravam deuses fenícios: os Baal-Zebbul (belzebu) que é associado ao Satanás judaico e cristão. Em outras regiões eram adorados outros deuses como o Sol e a Lua, simbolizando o masculino e feminino.
Alguns cultos fenícios foram se modificando com o passar do tempo e uma divindade em especial havia se destacado sobre as demais. Em vista disso Maomé influenciou-se pela divindade principal: ALLAH, aceitando dessa forma o Monoteísmo e também agregando sua crença juntamente com elementos Judaico-Cristão, entre eles a ideia de inferno (GEHENNA), paraíso e santidade de alguns homens como Jesus e o fato dele ter nascido de virgem Maria. Entretanto não o consideram como homem enviado por Deus como também a concepção de Santíssima Trindade, intitulado heresia, pois Maomé era o único profeta de ALLAH.

                                    Monoteísmo judaico e cristão

As duas religiões de origem semita tinha diversos praticantes na Península Arábica e por terem cultura semelhante, possibilitava a sua difusão na região. Tanto cristão como Judeus seguiam em parte o Velho Testamento e acreditavam no mesmo Deus único. A principal diferença é que os cristãos estavam ligados ao Salvador, filho que Deus enviou a terra para resgatar seus pecados. Mas os Judeus ainda esperam o filho de Deus. Tanto o Judaísmo como o Cristianismo também são próximos do Islamismo devido a Ismael que é filho de Abraão e Agar que consta no Velho Testamento na Biblia, livro sagrado.

                       ligações entre Islamismo, Judaísmo e Cristianismo.

- Ambos eram monoteístas, isto é, criam somente em único Deus.
- O alcorão islâmico foi inspirado na Bíblia cristã que por sua vez tinha partes do Torá judaico.
- Vários profetas eram comuns as 3 religiões.
O povo cristão e mulçumano são considerados  ¨filhos de Abraão. Não podemos subestimar a importância de Abraão para as três grandes religiões monoteístas do mundo. Jesus era chamado “filho de Davi, filho de Abraão” 
Questão 2 – caso das imagens
No Império Bizantino, ocorrera a proibição ao culto das imagens dos iconófilos, que eram perseguidos e tinham suas obras destruídas. O iconoclasmo tornou-se doutrina oficial durante o reinado do imperador Leão III, o que exterminou o acervo antigo do Império Romano.
O imperador Leão III havia sido influenciado pelo judaísmo e pelo islamismo. Na época, São Germano, que defendia a utilização dos ícones foi forçado a renunciar. Na época, um oros subscrito por 338 bispos condenava o uso de imagens em cultos, havendo forte protesto do povo e dos monges. As igrejas protestantes que se separaram da católica (século XVI) também se afastaram dos ídolos (idolatria) e não adotam imagem como parte da sua crença.
Questão 3 – Os povos do livro.
Assim os mulçumanos designava os seguidores dos livros sagrados, descrevendo os não-mulçumanos que de acordo com o alcorão, receberam as escrituras que foram reveladas por Jeová para judeus e cristãos através da Biblia e torá antes de Maomé. O alcorão significa uma obra final desses livros sagrados.

A Arte Mudejár - História do povo árabe de 400 a 800



                
                 

                     A Arte Mudejár – extensão em História

                         História dos árabes de 400 a 800
              












                    São Paulo – Santa Cecília   25/07/2013


Arte mudéjar[1] é o fruto do trabalho e talento artístico dos artesãos muçulmanos que continuaram a viver nas vilas e cidades no centro e no nordeste da Espanha, onde praticavam seus trabalhos artísticos, mesmo após a Reconquista efetuada pelo hispanos de Castela e Aragão. Durante os séculos XVI e XVII, muitos desses artesãos foram contratados e migraram para as colônias espanholas nas Américas, como o México, Peru Superior (hoje Bolívia) [2], Nova Granada (atual Colômbia), Guatemala e Cuba. Nestes países, os edifícios públicos têm indicações claras da arte moura em suas arquiteturas, azulejos, e portões de ferro forjado ou na arte da carpintaria [3]. Esta influência continua até hoje no trabalho de seus descendentes, artesãos contemporâneos, cujo talento se manifesta nas ruas, mercados e prédios públicos da América Latina. Nos Estados Unidos, vemos nitidamente essa arte nas "missões" da Califórnia e do Novo México, nos hotéis turísticos construídos ao longo das ferrovias na Flórida, no início do século XX, e em grande parte dos revestimentos no interior dos primeiros cinemas.
Durante a glória árabe, a Península Ibérica era parte de um mundo mais amplo que se estendia desde o Atlântico até as fronteiras da China, através da Ásia. A língua árabe representava um símbolo vivo da unidade árabe e pan-islâmico, que ligava o mundo intelectual da época. Nestes séculos, a cultura hispânica sofre muita influencia árabe, resultando que Córdoba, capital andaluza durante três séculos (756-1030), foi a cidade mais brilhante na Europa produzindo inúmeros escritores, artistas, estadistas e cientistas famosos.
      O resultado final deste movimento cultural nas artes e arquitetura foi o florescimento de uma obra com temas que interpretaram ideais islâmicos. Misturando os diversos estilos do mundo islâmico: na Pérsia, onde a arquitetura tinha desfrutado de uma longa tradição , no coração da Arábia, no Egito, na Síria e no Iraque, nos países da Ásia Central, na Índia e na Turquia aonde o Islã converteu a população, e também no norte da África e Espanha.
     O estilo andaluz, que se inspirou nessas influências, acabou por se tornar popular  porque incorporou vários estilos de diferentes nacionalidades, baseada na cultura islâmica, o que resultaria em uma fusão entre o Oriente Médio e o mundo mediterrâneo. Como exemplo da arte oriental, tem a arquitetura iemenita, cujos desenhos geométricos delicado nas fachadas de seus edifícios e seus azulejos fantásticos influenciaram profundamente a arte espanhola. No entanto, a arte hispânica desenvolveu a sua própria personalidade. Quando as terras sob o controle dos muçulmanos na Espanha foram reduzidas ao pequeno reino de Granada, no sul da península, foi cada vez mais utilizado o gesso para decorar os edifícios. O gesso exige grande habilidade para conhecer a sua qualidade fibrosa ou têxtil e utiliza-la antes que endureça.

No mundo mediterrâneo, também podemos encontrar claras influências árabes. Por exemplo, o espaço central das casas e edifícios públicos, que nos edifícios romanos se denominava átrio, um lugar que se tornou padrão na região do Mediterrâneo, onde seu uso tornou-se útil para a vida social durante os verões quentes. Este pátio proporcionou um espaço para eventos sociais, onde as fontes refrescavam os corredores e interiores dos quartos. Os arquitetos do Mediterrâneo e do mundo árabe se utilizavam dos movimentos do ar e da água para manter os ambientes frescos e saudáveis. A água vinha de colinas distantes, como é feito hoje no Irã, ou como em Granada Nazari . Tudo isso combinado produz o efeito do resfriamento dos interiores das construções. A Alhambra, em Granada nos dá um esplêndido exemplo dessa climatização natural nos séculos anteriores, onde foi utilizada a água e as neblinas que desce da Serra Nevada, para refrescar seus quintais e moradias. Muitos colégios persas e iraquianos usaram o mesmo princípio, quando o interior dos quartos é ventilado por uma a circulação em uma câmara isolada, de modo que o ar possa circular como um chiflón[4] direcionado para ventilar salas de estudos e recreação. Samarra, ao norte de Bagdá, às margens do rio Tigre, tem algumas dessas escolas internas que guardam séculos de vida estudantil.
             As treliças favorecem a circulação do ar, da mesma forma, proporcionam a livre entrada do mesmo e suavizam o brilho solar mediterrâneo ou tropical. Podemos ver a sua utilização em lugares tão distantes como as varandas de madeira de Lima, no Peru, ou nos antigos bairros do Cairo (Egipto), Jeddah (Arábia Saudita) e Basra (Iraque). Sentado dentro das casas, os curiosos e moradores podem ver com discrição absoluta o movimento nas ruas, demonstrando a importância dada à privacidade dentro das casas muçulmana. Sendo feito de madeira, tijolo, azulejo ou metal, a estrutura constitui o espaço privado, mas também permite introduzir a corrente de ar fresco para as dependências, enquanto dificulta a entrada de ladrões indesejados ou intrusos. Entre os destaques estão ás artísticas grades e persianas (celosías) metálicas nas cidades americanas de clima quente, como Havana (Cuba), New Orleans (EUA) ou Cartagena das Índias (Colômbia), tudo com base nos princípios da arte mudéjar.
      O antigo tipo de casa latino-americana também utilizou da construção do pátio central, e tinha também um quintal ou espaço atrás da sala de jantar que separava os empregados domésticos que trabalhavam na cozinha. A principal entrada do pátio é defendida contra intrusos por um portal amplo com cobertura (istawân). A decoração destes edifícios nos chama a atenção; seus pisos e azulejos, mostram seus desenhos geométricos e florais em todos os lugares. Os tetos em gesso trabalhado todo em muqarnas [5], ao que parece quase sobrenatural, especialmente quando combinada com o uso de espelhos, como no Iraque e Iran. Na carpintaria e marcenaria utilizavam vários tipos de madeira, uma riqueza trazida das florestas caribenha, e cujo efeito é maior quando os móveis, caixas, armários e roupeiros são incrustados com marfim, madrepérola e osso. Os tetos das salas nos prédios localizados em Sierra Madre, nos Andes ou América Central foram construídos por carpinteiros mouros em madeira, e as abóbadas foram construídas muitas vezes com arabescos. Este é o caso de muitos edifícios públicos na cidade de Queretaro, no México, e Tunja, na Colômbia Popayan, Potosi, na Bolívia e no Equador, Quito, tudo o que pode ser visto com este estilo é arquitetura mourisca.
         Após a queda de Granada, em 1492, pelas mãos de tropas espanholas, a obra dos artesãos mudéjar foi introduzida em toda a Península, tanto por muçulmanos como por cristãos. Mais tarde, durante os séculos XVI e XVII, a sua obra foi utilizado em projetos arquitetônicos das novas colônias nas Américas, onde os artesãos foram recrutados como trabalhadores. Quem viajava pelo Atlântico, não era permitido trazer suas esposas ou namoradas, devido a isso acabaram por casarem com mulheres indígenas e, portanto, seus filhos e descendentes eram mestiços. Na cidade de Antigua (Guatemala) ainda residem muitos artesãos chamados ladinos, que são descentes de Mouros. Estes bisnetos mouros são aqueles artesãos mestiços cuja experiência foi perpetuado nas artes e ofícios, e pela mistura com índios acabaram fundindo as duas culturas e originando uma arte própria.


[1] Mudéjar é um termo que deriva da palavra em árabe: مدجّن [mudaǧǧan] que significa "doméstico" ou "domesticado" e que se utiliza para designar os muçulmanos ibéricos que permaneceram vivendo em território conquistado pelos cristãos, e sob o seu controlo político, durante o longo processo da chamada Reconquista, que se desenvolveu ao longo da Idade Média na península Ibérica.

[2] No porto de Copacabana, na península de mesmo nome, às margens do Lago Titicaca, a 3.812 metros acima do nível do mar, é o santuário da igreja da Virgem da Candelária, que é um lugar de peregrinação para os fiéis . O edifício foi construído entre 1610 e 1620 por artistas mouros. A visita, por suas formas e cores branca e verde, você pode ter a sensação de estar em todo o Magrebe Árabe .

[3] Muito dessa arte tem sido documentada pelo estudioso mexicano Manuel Toussaint, em seu livro A arte árabe na América, Editorial Porrua, México, 1946.

[4] corrente de vento muito leve, brisa
[5] Muqarnas é um tipo de consolo empregado como um dispositivo decorativo na tradicional arquitetura islâmica e persa arquitetura. São trabalhos em gesso nos tetos  representando estalactites  ou alvéolos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Escola de Frankfurt - para muitos mais importante que a Escola de Annales




    1892 – Em Berlim, nasce Walter Benjamin.
    1914 – Tem início a Primeira Guerra Mundial.
    1918 – Benjamin gradua-se na Universidade de Berna com a dissertação sobre a Noção de Crítica de         Arte no Primeiro Romantismo.
    1921 - Adorno conhece Max Horkheimer, ao qual se liga por profunda amizade.
      1924 – Fundação do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt.
    1928 – Benjamin vê rejeitada sua tese sobre As Origens da Tragédia Barroca na Alemanha.
    1929 –  Nasce Jürgen Habermas.
    1933 – O Instituto de Pesquisas Sociais transfere-se para Genebra.
    1936 – Benjamin publica em francês A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica.
    1938 –       Adorno viaja para os Estados Unidos.
    1939 –       Publica Fragmentos sobre Wagner. Eclode a Segunda Guerra Mundial.
    1940 –       Benjamin suicida-se. No mesmo ano, são publicadas suas Teses sobre a Filosofia da História.
    1947 –  Adorno e Horkheimer empregam pela primeira vez o termo indústria cultural.
    1950 –       Reorganização do Instituto de Pesquisas Sociais, na Alemanha. Adorno publica seu estudo sobre a Personalidade Autoritária.
    1951 –       Horkheimer pronuncia conferências Sobre o Conceito de Razão.
    1954 – Habermas I licencia-se com uma tese sobre Schelling:  O Absoluto I  e a História.
    1955 – Publicação do original alemão de A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica, de Benjamin.
    1956 – Adorno publica Para a Metacrítica da Teoria do Conhecimento – Estudos sobre Husserl e as Antinomias Fenomenológicas.
    1959 – Habermas colabora com Adorno.
    1956 – Adorno publica Para a Metacrítica da Teoria do Conhecimento - Estudos sobre Husserl e as Antinomias Fenomenológicas.
    1958 – 1965 – Publica os Ensaios de Literatura I, II e III. 1961 - Inicia a Teoria Estética.
1962 -  Publicação de Evolução Estrutural da Vida Pública, tese de doutoramento de Habermas.
            1963 -       Habermas publica Teoria e Práxis.
            1966 - Adorno publica a Dialética Negativa.
            1968 - Conclui a primeira versão da Teoria Estética. Habermas publica Técnica e Ciência como “Ideologia”, e transfere-se para Nova York.
    1969 - A 6 de agosto, com 66 anos, falece Theodor Wiesengrund-Adorno.
    1973 - A 9 de julho, com 78 anos de idade, morre Max Horkheimer.

Cultura do Brasil


1) Disserte, em no máximo uma lauda, sobre a relação que podemos estabelecer entre a Semana de Arte de 1922, ocorrida em São Paulo, e o processo de imigração que tem início com a abolição da escravidão negra, ainda em fins do século XIX.

Com a imposição inglesa para o Brasil acabar com a escravidão e aderir a mão de obra assalariada, o governo e proprietários de terras sentiram a necessidade de conseguir mão de obra para as plantações, principalmente de café. Na Europa e no Japão havia uma imensa população desempregada e sonhando em ter um pedaço de terra para sua sobrevivência. Com isso, milhares de imigrantes vieram para o Brasil com esperança de dias melhores. Mas muitos percebendo que estariam sujeitos a trabalhar como empregados em um sistema de semiescravidão na lavoura acabaram ficando nas cidades. Foram aproveitados nas primeiras indústrias de São Paulo.
Acontece que os imigrantes vindos da Europa e mesmo do Japão tinham um cultura muito diferente da nossa, e porque não dizer superior da maioria da população brasileira que era analfabeta. Devido a isso, esses imigrantes não conseguiam ou não lhes interessava adotar os costumes daqui. A semana da arte moderna tinha como um dos focos criar uma cultura verde-amarela que integrasse toda a nação ao redor de uma nova nacionalidade, que atendesse tanto a elite, imigrantes e pessoas do povo brasileiro.
Podemos perceber que a história ou os fatos históricos nunca são isolados, mas sempre se relacionam entre si
. O fim da escravidão tornou necessário a vinda de imigrantes que por sua vez não se integraram ao Brasil e que intelectuais sentiram a necessidade de termos uma cultura própria, gerando a Semana da Arte moderna.

Interdisciplinaridade


Segundo Robert Darnton, para analisar o universo expresso pelos contos populares “é preciso segurar‑se firme em duas disciplinas: a antropologia e o folclore. Quando discutem teoria, os antropólogos discordam quanto aos fundamentos de sua ciência. Mas, quando saem em campo, usam, para a compreensão das tradições orais, técnicas que podem, com discernimento, ser aplicadas ao folclore ocidental”. Que outras disciplinas e documentos poderiam auxiliar o historiador? Dê sugestões, exemplos, e discuta com seus colegas as possibilidades da interdisciplinaridade




DIAULAS DOS SANTOS NAVARRO
2012-02-13 18:53:58

Continuando....O  arqueólogo, costuma trabalhar através da investigação científica e muita pesquisa para tentar interpretar cada achado da forma correta. Via de regra, é necessário o conhecimento de outras áreas, ou então o trabalho em equipe com outros profissionais especializados em antropologia, paleontologia, história, química, botânica, biologia e até matemática. Já por sua vez o Historiador depende do trabalho do Arqueólogo para conhecer e muitas vezes reconstruir a história. Um exemplo atual é a descoberta das ruínas de Pompéia na Itália, soterrada pela erupção do Vesúvio.
A Literatura também é importante para se ter uma ideia aproximada de ocorrências da história, aonde não existe nenhum tipo de fonte.
Interessante pensarmos que essa aproximação da história com a literatura não ocorre em um sentido único. É uma via de mão dupla. Os estudos literários contemporâneos também reveem seus paradigmas e há uma busca por esse diálogo epistemológico com a história. Há um retorno à narrativa pelos historiadores e um retorno à historicidade por parte dos estudiosos da literatura. Uma interdisciplinaridade que havia se rompido, mas que parece retornar com maior força e maior profundidade
 Paul Ricoeur afirma que a história é quase fictícia no sentido da quase-presença dos acontecimentos colocados “diante dos olhos” do leitor por uma narrativa, enquanto que a narrativa de ficção é quase histórica, na medida que os acontecimentos irreais que ela relata são fatos passados para a voz narrativa que se dirige ao leitor.
No Brasil temos vários romances que retratam períodos da História:
Vidas Secas, Memórias do Carcere, Os Sertões,etc.
Temos autores que retratam a paisagem, os costumes e a politica da epóca, como: Machado de Assis, José Lins do Rego, Èrico Verissimo, Jorge Amado, etc 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Uma cultura sufocada...


DIAULAS DOS SANTOS NAVARRO – RA 1047304
                                
Licenciatura em História



                                                                 








ESTAGIO NO ENSINO MÉDIO – 150 HORAS

               Orientador: Professor Reginaldo De Oliveira Pereira 

“Centro Universitário Claretiano”





                                   SÃO PAULO
                                    2011
                    



                     ÍNDIOS BRASILEIROS: UMA CULTURA SUFOCADA

                                             Resumo

Até o inicio do século XX, a maioria da população brasileira via os indígenas como bichos do mato, pronto para serem abatidos. Colonizadores, bandeirantes, fazendeiros, imigrantes, seringueiros, militares e até estrangeiros chacinaram os índios por interesse econômico, vingança e até por diversão. Com uma população calculada entre seis e dez milhões em 1500, hoje não passa de 734 mil pessoas que se declaram índios, segundo o IBGE (2010). Mas, além da chacina física, também ocorreu à chacina cultural. Negaram-lhes o direito a sua cultura e religião. 
Para o dito “civilizado” a cultura e a religião dos silvícolas, sempre foi visto como folclore ou algo demoníaco, como acreditavam os jesuítas.
A partir de Rondon, embora lentamente, uma nova visão humanística e realista em relação aos nossos índios começou a surgir. Com a criação da SPI e logo em seguida da FUNAI, o índio passou a ter uma tênue esperança de sobrevivência. Mas e a sua cultura sobreviverá?


Palavras-chave: Cultura, religião, índio.







           







                                       




A Problemática indígena

Quando escolhi esse assunto para o meu trabalho de conclusão de curso, suspeitava que encontraria muita dificuldade para encontrar material de pesquisa sobre este tema, devido ao grande desinteresse da maioria da população sobre este povo que faz parte da formação cultural, antropológica e humana da nação brasileira.
A maioria dos brasileiros desconhece a cultura e a religiosidade indígena. Eles são vistos ainda como seres bizarros e exóticos e que gera preconceitos e racismo por uma parte da população. A figura do índio gera muita polemica: Uns entendem que sua cultura deve ser destruída e que os índios devem incorporar nossa cultura (integração). Outros apóiam que os índios mantenham sua cultura e que tenham contato mínimo com o “civilizado”.Já outros querem um programa intermediário. Mas o principal interessado nesta história toda nunca é ouvido.
Para realizar este texto foram consultados vários sites e autores especializados, como Bete Mindlin, Darcy Ribeiro, Benedito Prezia e Eduardo Hoornaert, Varnhagen, Luis Câmara Cascudo e a excelente obra “Índios do Brasil” organizada por Luís Donisete Benzi Grupioni.
O material existente é pouco, mas acredito que o suficiente para elaborar um artigo que venha trazer luz a ‘religião”ou mitologia indígena, pois o que sabemos sobre eles é aquilo que aprendemos na infância sobre a Iara, lenda da mandioca, Saci-pererê e Boitatá.
Então, o primeiro objetivo deste artigo é procurar entender que os índios tinham uma cultura e uma religião, mas foram sufocados pelo homem branco por motivos religiosos e econômicos. O segundo objetivo é mostrar que apesar de tudo,seus conhecimentos
contribuíram para a formação cultural do Brasil.
 Espero que esse artigo possa colaborar para que se tenha uma melhor compreensão das atitudes, valores, cultura e costumes dos nossos irmãos índios, primeiros brasileiros que contribuíram com suas lendas, mitos, alimentos, danças, utensílios, etc.

Os amigos dos índios

No inicio da colonização os descobridores e colonizadores consideravam que os índios não tinham nenhuma cultura e que eram quase animais. Tanto na Carta de Caminha como no relato dos estrangeiros ou no primeiro livro de História do Brasil, de Varnhagen, os índios são expostos como seres animalescos e sem moral:

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram... Carta de Caminha ao Rei de Portugal, 1500.
“Essas gentes vagabundas, que, guerreando sempre, povoavam o terreno que hoje é do Brazil, eram pela maior parte verdadeiras emanações de uma só raça ou grande nação... (VARNHAGEN, 1894, p.24-25)
Mas além do preconceito inerente a época, em nenhum momento o índio é visto como o dono da terra, mas apenas como alguém que ocupava uma terra sem dono e que tinha que ser ocupada, explorada e abandonada quando não houvesse mais bens para levar para Portugal. E o mais surpreendente é que os invasores utilizavam os habitantes como escravos para “saquearem” suas próprias riquezas.
Mas não foram apenas esses dois personagens citados que trataram os índios com preconceitos e ignorância. Muitos viajantes estrangeiros que percorreram o interior do Brasil escreveram obras pelo que viam e não pela convivência com os índios:
Jean De Léry, Anthony Knivet, Abeville, Antonil, Padre Nóbrega, Hans Staden, Anchieta e Thevet foram alguns daqueles que escreveram sobre nossos índios com maior ou menor preconceito. Padre Vieira foi o único religioso que tratou os índios com respeito e amor cristão.
Somente no final do século XIX , com a figura de Marechal Rondon,1865/1958 é que os índios começaram ser vistos sob outro prisma.
Ao ser designado para chefiar a construção das redes telegráficas, Rondon procurou tratar os índios com mais humanidade, inclusive as tribos arredias.
Cândido Mariano da Silva era descendente de índios Terena, Borôro e Guaná. Ele nasceu em 5 de maio de 1865, numa cidadezinha de Mato Grosso chamada Mimoso, mas que hoje é Santo Antônio do Leverger. Perdeu os pais ainda menino e foi criado por um tio, cujo sobrenome - Rondon - Cândido Mariano adotou anos mais tarde, com autorização do Ministério da Guerra. Por seu trabalho consciente frente aos índios foi convidado para     ocupar a presidência da Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910, atual FUNAI (Fundação Nacional do Índio - 1967). Nesta função, comandou e traçou o roteiro da expedição que o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, realizou pelo interior brasileiro entre 1913 e 1914, a Expedição Roosevelt-Rondon.
Produziu o livro Índios do Brasil, em três volumes, editado pelo Ministério da Agricultura. Fervoroso defensor dos povos indígenas do Brasil ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca."
Outros que procuraram trazer maior conhecimento para nós, sobre o mundo indigena, foram os irmãos Villas Boas.
Eles, Cláudio, Leonardo e Orlando, foram os indianistas herdeiros das ideias humanistas defendidas por Marechal Rondon com quem começaram a trabalhar em 1945 na expedição Roncador-Xingu. Explorar as misteriosas terras do Brasil Central evitando ocupações estrangeiras missionárias, contatar e pacificar os índios eram o norte desta expedição supervisionada pelo SPI (Serviço de Proteção ao índio). Com o fim da expedição em 1951, Orlando iniciou uma campanha para a construção da Reserva do Alto Xingu que culminou na criação do Parque Nacional do Xingu em 1961, durante o governo de Jânio Quadros. A formação do Parque ajudou a aumentar a ideia, atualmente muito contestada, de que os índios devem ser mantidos isolados para que não sejam “aculturados e civilizados”, os que tornaram os irmãos muito famosos entre ambientalistas e ativistas de direitos humanos. Seus nomes foram indicados para vários prêmios nacionais e internacionais, inclusive para o Prêmio Nobel da Paz, nos anos de 1971 e 1975.
Temos outros estudiosos e pesquisadores que de alguma forma também contribuíram para a divulgação da cultura indígena brasileira:
Betty Mindlin, economista e antropóloga têm uma longa história de trabalhos sobre e com os povos indígenas brasileiros. De seus projetos de pesquisa nasceram uma tese de doutorado ("Nós, Paiter", publicado em 1985 pela editora Vozes) e seis livros sobre mitos, escritos em parceria com narradores indígenas. Entre eles, "Moqueca de Maridos" , publicado em vários países, uma maravilhosa antologia de mitos indígenas sobre o amor, “Terra Grávida” que fala dos mitos de tribos do Estado de Rondônia.
Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, RN, em 1898. Lendas e mitos, hábitos alimentares, folguedos, modos de falar e vestir-se, jogos infantis, práticas funerárias, superstições e costumes, tudo que constitui e enriquece a cultura popular brasileira foi alvo
das pacientes pesquisas de Luís da Câmara Cascudo, cujos mais de 100 livros publicados
lhe foi conferido a reputação de maior folclorista do país. Coletados os dados, ora em campo, ora em arquivos, punha-se o autor a relacioná-los aos índios, à África, a Portugal e à Idade Média européia, ou até mesmo a tradições asiáticas, para mostrar como as raízes do cotidiano do povo vêm com freqüência projetadas desde estratos remotos. Sua obra etnográfica e antropológica, estando sempre em sintonia com os avanços teóricos, foi, porém, toda realizada em linguagem criativa e saborosa, o que a põe ao alcance do leitor comum, sem prejuízo de manter-se como fonte obrigatória de consulta. Morreu em 1986.
Darcy Ribeiro nasceu em Minas (1922), no centro do Brasil. Formou-se em Antropologia em São Paulo (1946) e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Neste período fundou o Museu do Índio e criou o Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena.
Como vemos, existiram e existem pessoas sensíveis à problemática indígena, embora a grande maioria ignore isso e um grande número de brasileiros preferiam ver a extinção dos índios ou pelo menos a sua integração total a cultura branca.
Muitos brasileiros não aceitam que terras e florestas sejam usadas para criar reservas para a comunidade aborígine, acreditam que essas terras deveriam estar nas mãos de latifundiários ou de madeireiras.
                                   
Em nome do Rei

Ao apossar das terras que no futuro seria o Brasil, os portugueses tinham em mente que tudo lhe pertencia. Ao deparar com um povo que não conhecia armas de fogo ou arma branca e tinha somente arco e flecha como forma de defesa, seu primeiro pensamento foi dominá-los e utilizá-los como mão-de-obra escrava.
Como não encontraram ouro ou pedras preciosas logo que chegaram, derrubaram o pau-brasil e os índios foram vitais nessa empreitada. Em seguida plantaram cana-de-açúcar no litoral brasileiro e mais uma vez os índio foram utilizados como trabalhadores braçais.
Devemos ter em mente que o índio antes da chegada dos portugueses eram “seres fortes, belos, sem lei, sem rei e sem alma”
Essa frase de Américo Vespucio, citada por Marilena Chauí (1994, p.11) talvez seja um resumo do preconceito do civilizado sobre o que representa a cultura, religião e tradição indígena.
Eles viviam harmoniosamente em suas comunidades sem precisar de lei. Não tinham Rei, pois sabiam o que fazer para garantir a sobrevivência da aldeia. E tinham alma, pois acreditavam que existia alguma coisa após a morte, como crê a maioria das religiões dos ditos civilizados.
Outra visão incorreta sobre os índios que se tinha é que eram predadores, por não criarem animais, plantarem(algumas tribos são apenas coletoras), ou abandonarem o local da aldeia depois de algum tempo. Mas essa ideia está totalmente errada, pois o índio ao perceber que próximo de sua aldeia; os animais, as plantas e os peixes estavam se esgotando, abandonavam o local e ocupavam outro lugar. Esse local sem a ação do homem volta a se recuperar, podendo ser ocupado depois de algum tempo. O civilizado age dessa forma? Não. Ele usa os recursos até se esgotar e depois vai destruir em outro lugar. Onde está a Mata Atlântica e parte da Floresta Amazônica? O que ocorre quando o homem faz uma estrada ou uma hidrelétrica? Como estão os rios e praias das grandes cidades?
Mas voltando ao tema central, os lusitanos sempre escreviam ao seu Rei para justificar os massacres e a escravidão cometidos contra os índios. Inúmeras cartas de funcionários, governadores ou vassalos davam como desculpa para esses crimes a necessidade de mão de obra, a rebeldia dos bárbaros, a ocupação da terra e a própria defesa.
Mas para não cometermos injustiças, temos que lembrar que a Europa havia saído há
pouco tempo da Idade Média e muito dos costumes dessa época ainda persistia. Nesse tempo o Senhor não fazia trabalhos braçais, o povo conquistado tinha que ser convertidos ao Catolicismo e quem não aceitasse era punido com rigor. Quando os portugueses descobriam um novo lugar, baseado nos ideais das Cruzadas e da religião, tinham o dever santificado de implantar a religião cristã de Roma no povo local.
Não sentiam culpa por escravizar ou matar os índios por se tratarem de gentios.
Já os Bandeirantes que até hoje são exaltados em São Paulo e no Brasil com nome de ruas, avenidas, estradas e outros locais eram caçadores de ouro e pedras preciosas e principalmente de índios para escravizarem ou matarem no caso de rebeldia contra a escravidão ou a tomada de suas terras.
Quando os interesse da Coroa portuguesa eram contrariadas pelos índios, a ordem era o extermínio.
Segundo Benedito Prezia e Eduardo Hoonaert (2000, p. 142) Marques de Pombal (1699 – 1782) como Ministro de Portugal (1750-1778) acabou com as missões jesuíticas que dava uma certa proteção aos índios apesar de destruir sua cultura.
Essa atitude de acabar com os jesuítas, foi devido a interferência dos religiosos nos lucros da Metrópole. Essa interferência de Pombal, junto com outras medidas tomadas, foi uma pá de cal sobre a cultura indígena:
- As Missões passaram para o controle de funcionários governamentais.
- Os índios foram proibidos de colocar nome em tupi-guarani em seus filhos.
- As línguas nativas e a geral (nheengatu) foram proibidas.
- Os caciques viraram capitão e Juizes, e as lideranças passaram a ser vereadores municipais.
- Todo índio passa a ser cidadão português.
A visão de Pombal é que com essas medidas o fim do atraso do Brasil teria fim.
Mas nem sempre os índios aceitaram a sua destruição sem luta. Entre 1753 e 1756 ocorreu a Guerra Guaranítica, onde espanhóis e portugueses encontraram certa dificuldade para poder vencê-la.
Quando os Bandeirantes encontraram ouro, a população da Colônia aumentou sensivelmente e houve necessidade de aumentar a produção de alimentos e transporte (cavalos) e com isso a ocupação dos pampas e de outras regiões para criação de gado e cavalos mais uma vez os índios tiveram suas terra invadidas e entraram em confronto com os brancos civilizados. Foi devido a isso que os Guaicurus se tornaram exímios cavaleiros.
                                   
Em nome de Deus

Juntos com os primeiros portugueses que aqui aportaram vieram os religiosos com a missão de cristianizar os gentios, “salvar almas” para Deus.
Mas juntos com eles vieram muito preconceito, ignorância e falta de sensibilidade. Ignoraram completamente a cultura e a religião indígena. Não aceitavam em hipótese alguma que os índios pudessem ter uma cultura e muita menos uma religião.
Jung afirma que “a essência da religião está na alma. Existe uma relação profunda e intrínseca entre o mito e a psique, ou a alma. Disse:“El alma contiene todas las imagines de que han surgido los mitos”. Jung evidentemente sabia que a razão humana não consegue entender, portanto os deuses e demônios antigos eram em sua maioria – senão que a alma primitiva personificava, atribuindo-lhes propriedades e qualidades.
Um exemplo disso era que algumas tribos acreditavam que a Lua e o Sol eram Deuses, mas não encaravam como deuses merecedores de sacrifício ou adoração. È bom lembrar que Tupã nunca foi criação ou fez parte dos mitos indígenas, mas sim invenção dos Jesuítas para identificar o Criador junto às crianças das aldeias.
Para se ter uma ideia de como o índio era visto pelo civilizado temos alguns fragmentos da época:
 “Na atual fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, ocupada pelas Missões, no século XVII, as doenças do branco transmitidas ao índio, eram usadas para convencer os indígenas do poder de Deus católico.” Colocaram nos índios, noções de pecado, culpa e castigo. E a ação nefasta das doenças trazidas pelo branco, foi usada para pressionar os índios a se cristianizarem.(BAPTISTA, 2009, p.68-69 ).
...Mas os salesianos acabariam por destruir este ultimo alento da vida tribal, alegavam que a maloca, desprovida de janela e permanentemente cheia de fumaça, era matadouro de índios, que a promiscuidade de tanta gente de sexo e idade diversos contrariava a moral cristã.” (Luciana Christante, em linha)
Em seu ímpeto apostólico, os salesianos se revelaram intolerantes à cultura indígena. Os idiomas nativos eram expressamente proibidos nos internatos e qualquer flagrante era punido severamente. A separação de meninos e meninas era total. Com a introdução dos rituais católicos, penetraram também as noções de pecado e indecência. As malocas foram gradativamente destruídas sob o pretexto de promiscuidade e falta de higiene. Os pajés foram ridicularizados e difamados. Enfeites e instrumentos cerimoniais – como os que estão expostos no Museu do Índio em Manaus – foram paulatinamente substituídos por crucifixos e imagens de santos”.(Luciana Christante, em linha)
Em “Cartas do Brasil” de Pe Manuel da Nóbrega (1549, p.99 ) ao relatar sobre os pajés, o mesmo demonstra um pouco de ciúmes, ignorância e intolerância para a religião dos gentios:
“Vem uns feiticeiros de mui longe terras, de sua vinda lhes mandam limpar os caminhos e vão recebê-los com danças e festas, segundo os seus costumes, e antes que cheguem ao lugar, andam as mulheres de duas em duas pelas casas, dizendo publicamente as falhas que fizeram a seus maridos, umas com as outras, e pedindo perdão deles...”
Tanto como os evangélicos protestantes e católicos fizeram um grande mal aos índios ao interferir em sua religião e costumes.
O pajé, antes da interferência dos invasores, era muito respeitado, pois ele dominava o conhecimento pela curas de doenças com as ervas e raízes medicinais e por ter bastante idade que no entender do índio, significa experiência. Além disso, a tribo acreditava nos poderes mágicos do pajé. Uma profecia era entendida pela tribo como uma verdade e muitos temiam o Pajé, como alguém que poderia ter controle do futuro, da vida e da morte.
|Mas o pajé não tinha poder contra a maldade dos brancos e por isso os índios foram dizimados por doenças estranhas, armas de fogo, mercúrio, cachaça e até drogas ( o crack hoje já chegou as comunidades indígenas).
Também a aproximação dos religiosos dos índios ao mesmo tempo em que o protegeu, facilitou sua captura pelos bandeirantes e fazendeiros. Os aldeamentos promovidos pelos jesuítas também facilitaram as epidemias de varíolas, sífilis e outras doenças vinda da Europa.                        
                                
Em nome do vil metal

Tanto na época da extração do pau-brasil (ibira - pitanga) como na produção de cana de açúcar, os índios sofreram nas mãos dos portugueses, mas o auge desse massacre ocorreu no século XVIII e XIX.
A Carta Régia de 1808 e dos anos seguintes foram ordens de D.João VI para destruir os Botocudos e outras nações indígenas. Quando não ocorria a ordem de destruí-los, a orientação era para integrá-lo na sociedade e assim acelerar a sua extinção como nação.
As construções de ferrovias, a ocupação do interior e a imigração também contribuíram para a expulsão, aculturação e destruição dos índios. No século XX, no inicio, o índio continuou a ser molestado pelos brancos. A desculpa que davam era o progresso e a ocupação do território brasileiro, mas na realidade foi sempre a ganância e a cobiça que moviam essa matança.
De acordo com Darcy Ribeiro (1968, p.26) no século XX os índios passaram pelo mesmo que seus antepassados do litoral na mão do “civilizado”. Por toda a Amazônia onde pudesse chegar uma embarcação, as aldeias eram assaltadas, incendiadas e sua população aliciada.
Esses exterminadores eram compostos por aventureiros, seringueiros, balateiros, caucheiros, etc. Nessa época a extração de látex era feito após a derrubada  da seringueira ou do caucho  e com isso o seringueiro avançava cada vez mais no interior da selva interferindo nas tribos ainda não contatada pelo homem branco. Os seringueiros seqüestravam as índias e obrigava sua família a trabalhar de graça para eles.
Nessa época foram formados os grandes latifúndios do Brasil. Segundo Rondon: 
  “Sertões onde nunca pisou homem civilizado já figuravam nos registros públicos como pertencentes aos cidadãos A ou B, mais tarde ou mais cedo, conforme lhes sopra o vento do interesses pessoais, esses proprietários – cara deum soboles – expelirão dali os índios que, por uma inversão monstruosa dos fatos, da razão e da moral, serão então considerados e tratados como se fossem eles os intrusos, salteadores e ladrões. (Conferências, 1916:45)
Rondon constataria que o convívio indisciplinado com civilizados não representa um progresso para os índios, mas ao contrario, sua brutalização sob a mais vil das servidões.
A imigração no sul do Brasil, a partir de 1824, ocasionou a ocupação das terras Kaingang e ocasionando conflitos entre eles. No inicio os índios levaram a melhor, mas com a
intervenção federal foram massacrados.
A partir de 1847, quando novas estradas são abertas para facilitar o desenvolvimento das colônias e dos aldeamentos recém instalados, os ataques diminuíram, porém não cessaram. Grupos de índios eram freqüentemente vistos nos arredores das propriedades preparando suas "correrias", alarmando os colonos e motivando a ação dos bugreiros.
                                                   
Cultura Sufocada

Eles eram altivos, guerreiros, religiosos, livres, não destruíam a natureza, precisavam de muito pouco para ser feliz e sobreviver.
O homem branco chegou e num ato de arrogância, ignorou sua cultura e quis imputar a sua cultura com todos os vícios que conhecemos: arrogância,inveja, ganância, mentira, doenças, promiscuidade, autoritarismo, etc.
Darcy Ribeiro (1968, p. 36) afirma que há necessidade de outra ordem, talvez mais fundamental ainda, porque delas depende a sobrevivência dos índios como gente capaz de manter a si mesmo e de reagir contra o aviltamento. Nada é mais necessário aos índios que uma barreira ao processo de identificação com os pontos de vista dos civilizados que os levam a se olharem com os olhos dos brancos, como pobres bichos ignorantes e desprezíveis, contra quais tudo é permitido.
As lutas e os preconceitos contra os índios tem sido maior do que a sua defesa por cidadãos brasileiros.
Herman Von Ihering – diretor do Museu Paulista em 1884 – defendia o extermínio total dos índios brasileiros ( seria o primeiro holocausto feito por alemão ). Isso colaborou decisivamente pela fundação do SPI (Serviço de Proteção do Índio), atual Funai.
Von Hering seguia o evolucionismo haeckeliano da competição vital; diante de uma população mais bem-dotada, os mais fracos devem ceder lugar, por um imperativo das leis naturais, da evolução e do progresso.
Mesmo Rondon que tinha respeito pelos índios e passou para a história como defensor deles, também tinha uma visão pratica  na integração do silvícola – transformá-lo em pessoas laboriosas e úteis a nação”. Rondon ao ter essa idealização quanto a utilidade do índio desrespeitava a sua cultura e invadia o seu espaço.
Lei das terras em 1850 usava o argumento para se apoderar das terras demarcadas era que os índios já não existiam mais, pois já não eram mais índios na essência, isto é, já tinham se integrado ao mundo civilizado.
Atualmente o balanço ainda é desolador:
- 45 povos perderam a língua nativa e só falam português.
 - Em 1999, na Comemoração dos 500 anos de Descobrimento, policiais militares da Bahia reprimiram violentamente uma manifestação pacifica dos índios.
- Em março de 2009 o STF ( Supremo Tribunal Federal) decidiu quase por unanimidade a aprovação da lei que garantiu aos índios a preservação da Reserva Raposa do Sol contra a invasão dos não-indios. Isso só ocorreu devido a pressão da opinião publica e da ameaça de haver derramamento de sangue. Houve muita pressão contra a aprovação do STF por parte do governo de Rondônia, latifundiários e organizações partidárias ruralistas como o Dem e o Psdb.
È interessante destacar que os índios não tinham uma religião e uma cultura homogênea. Os índios do litoral e da Amazônia que tinham contatos com os índios Andinos eram muito mais evoluídos que os índios do coração do Brasil. Segundo, Claude Levis-strauss (colocar ano, p. 259) descrevia os Nambiquaras como uma tribo com uma cultura bastante atrasada :

...a indigência em que vivem os Nambiquaras parece inacreditável. Nem um sexo nem um outro usam qualquer roupa. E seu tipo físico, tanto quanta a pobreza de sua cultura, diferencia-os das tribos da vizinhanças...
Já os Carijós construíam suas casas cobrindo-as com cascas de árvores e já fabricavam redes e agasalhos com o algodão que cultivavam, forrando-as com peles e ataviando-as com plumas e penas. Acostumaram-se a ajudar todos os navios que lhe solicitassem auxílio, até que um dia, traídos na sua boa fé, acabaram considerando os brancos inimigos. 
                                                 
Conclusão

Se a cultura indígena foi sufocada e não reconhecida pelo “civilizado” foi justamente com o objetivo de dominá-los e não permitir que eles pudessem ter qualquer direito.
Ao obrigá-los a seguir a religião Cristã e abrir mão de seus costumes, tradição e mitos, o índio abria mão de sua natureza e identidade para se tornar algo sem definição.
Não era mais índio mas também não eram reconhecido como branco civilizado. Não podiam andarem mais nus mas também não era aceito como parte da sociedade branca.
Os índios catequizados e “amansados” eram utilizados pelos brancos para uma coisa abominável: ajudar a destruir os índios rebeldes e arredios.
Apesar disso tudo, a cultura indígena acabou fazendo parte da cultura brasileira. Na culinária, no vocabulário, nos mitos, alimentos, na formação física do brasileiro, no conhecimento das plantas e raízes. Temos uma divida eterna com nossos irmãos índios.
Segundo o IBGE, no senso de 2010, setecentos e trinta e quatro mil brasileiros se declararam indígenas. Calcula-se que em 1500 havia entre 5 e 10 milhões de índios vivendo aqui. Chacinas, doenças, fome, morte por depressão ao perder sua identidade foram uma constante na vida deste povo que pagaram um preço muito alto por serem donos de umas terras tão vasta, rica, produtiva e bonita. Abençoada por Deus? Talvez pelo Deus do branco que era o mesmo Deus do índio. Na Bíblia não está escrito que Deus é onisciente, onipresente e criou todas as coisas? Desconfia-se que o Deus do branco não é o mesmo que está em Gênesis. Pois esse Deus não aceitaria a matança generalizada, a distribuição de roupas infectadas com varíolas e outras pestes intencionalmente para matá-los. Nunca aprovaria que os garimpeiros enchessem as águas dos rios com mercúrio. Que madeireiros, fazendeiros e latifundiários fizessem as maldades contra os índios. È obvio que os índios não são santos. Contra eles pesam o canibalismo ( essas tribos foram extintas), o sacrifício de crianças com problemas de deficiência, as lutas inter-tribais e o machismo.Mas se pesarmos em uma balança, o civilizado tem muito mais pecado a pagar.
É só olharmos os nossos presídios, nossos políticos, nossas “autoridades”, empresários, banqueiros...Eles têm muito mais desvios de comportamento!
REFERÊNCIAS
RIBEIRO, Darcy. Os Índios e a Civilização. Circulo do Livro – São Paulo -1968.
PREZIA, Benedito. HOORNAERT, Eduardo. Brasil Indígena, 500 anos de resistência. FTD – São Paulo – 2000
LÉVI-SRAUSS, Claude. Tristes trópicos. Companhia das Letras – 1996
GRUPIONI, Luís Donisete Benzi ( organizador). Indios no Brasil. Ministério da Educação e do Desporto – Brasília – 1994
REVISTA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Rio de Janeiro. SABIN, n. 44, maio de 2009, pg.12.
REVISTA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Rio de Janeiro. SABIN, n. 48, setembro de 2009, pg 12.
HISTÓRIA VIVA. São Paulo. Duetto, n. 64, fevereiro de 2009.
HISTÓRIA VIVA. São Paulo. Duetto, n.67, maio de 2009.
Sites Consultados:
XAVIER, RAQUEL KEYLA N. - Escolas Indígenas: Em busca pela cultura sufocada. Disponivel em:<http://www.infoescola.com/educacão/escolas-indigenas-uma-busca-pela-cultura-sufocada>disponivel em 19/05/2011.Acesso em 15/05/2011.
CHRISTANTE, LUCIANA-As Missões Salesianas no rio negro”.>http://www2.unesp.br/revista/?p=1118<.Acesso em 17

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